Padeiro tem rosto deformado por tumor e hospital usa prótese importada para reconstrução do maxilar; veja o antes e depois

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Procedimento inédito feito através do SUS no HGP deu mais qualidade de vida ao padeiro Josimar Braga, de 49 anos. Ele chegou a fazer quatro outros procedimentos em dois anos e ainda teve que passar por tratamento contra a leishmaniose durante o processo. Josimar Braga, de 49 anos, antes dos primeiros procedimentos e após rejeição da primeira prótese
Arquivo pessoal
O que começou com um possível problema nos dentes, se transformou algo bem mais sério e levou a uma deformação no rosto do padeiro de Palmas Josimar Braga, de 49 anos. Mas graças a um procedimento inédito, ele conseguiu a reconstrução facial de forma gratuita e voltou ter qualidade de vida.
Antes da reconstrução, Josimar teve que passar por cinco cirurgias nos últimos dois anos. A primeira foi no começo de 2020, na mesma época em que começaram os casos de Covid-19. A última, em que colocou uma nova placa moldada ao seu rosto, foi no dia 3 de dezembro.
“Quando fiz a primeira consulta, o médico me pediu a tomografia e eu mostrei para ele no retorno. Foi aí que eu comecei a perceber o tamanho do problema. A princípio ele [o tumor] estava comendo uma parte do osso da minha face”, contou, relembrando a descoberta do tumor.
Assim começou a saga para descobrir do que se tratava de fato. Em março de 2020, os médicos o encaminharam para fazer a primeira cirurgia de emergência. Pelo avanço do problema, foram colocadas duas placas de titânio, uma para sustentação do olho e outro entre a face e o nariz.
“Foi na pandemia já e estava no auge. Acabou sendo adiada alguns dias, mas eu consegui fazer. Só que quando fiz a cirurgia, ele [tumor] já tinha se alastrado, já tinha comido uma parte da minha face toda. Aí o médico colocou uma prótese que não era adequada, de titânio”, disse.
Como o corpo dele não aceitou material de titânio, houve rejeição das placas e mais uma vez Josimar precisou ir para a sala de cirurgia. Em julho de 2020 passou por mais uma e até a conseguir a nova placa, foram outros três procedimentos.
“Quando foi em dezembro de 2021, tive que fazer outra porque deu rejeição à prótese, eu estava com um problema muito sério. Só que nesse intervalo, o médico já havia me encaminhado para o profissional bucomaxilo, quando foi solicitada essa prótese que coloquei agora”.
Rosto de Josimar após retirar os pontos da última cirurgia
Luciana Barros/Governo do Tocantins
Dificuldades
Depois da retirada do material de titânio, o rosto estava sem sustentação e a ação do tumor ficou mais visível. “Esse tratamento não é fácil. Depois disso deu um problema no olho também, porque foi tirando pele e ficando cada vez pior. Em abril deste ano fiz outra para consertar o olho e deu uma melhorada”, contou.
Situação do rosto de Josimar ainda durante os processos para reconstrução
Arquivo pessoal
Mas até a última cirurgia, ele enfrentou diversos obstáculos, entre eles a dificuldade de se alimentar. Como se não bastasse, nas biópsias para identificar o tumor, os médicos ainda o diagnosticaram com leishmaniose.
“Chegou uma época que eu não estava nem conseguindo me alimentar mais. Tanto é que quando fui fazer a cirurgia para retirar a prótese era porque não conseguia comer mais, não tinha mais abertura na boca. Para fazer a cirurgia teve que fazer uma traqueostomia, para poder entubar”, contou.
Ele também explicou que neste procedimento foi preciso retirar um pedaço da costela para tentar colocar na face como alternativa, para minimizar os impactos do tumor, até que a nova prótese fosse autorizada.
Para tratar a leishmaniose, teve que ir diariamente a um posto de saúde tomar três ampolas do medicamento na veia. “Quando chegou nos últimos dias eu não aguentava nem levantar os braços porque doem muito as veias, todo dia tinha que furar várias vezes para achar veia. Foi muito lento e não foi fácil. Cinco cirurgias foram feitas em dois anos. Mas graças a Deus deu certo o procedimento”, comemorou.
Placa especial
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foi feita a instalação de uma prótese no maxilar do lado direito do rosto de Josimar. O procedimento, de alta complexidade, foi realizado pela equipe do Serviço de Reconstrução Crânio Facial do Hospital Geral de Palmas (HGP). O padeiro não teve nenhum custo.
Com uma espessura de apenas 0,6 milímetros, a peça foi confeccionada por uma empresa terceirizada e de fora do Brasil e importada com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com ajuda de uma tomografia, os especialistas conseguiram adaptá-la ao rosto de Josimar através da computação gráfica.
Placa de liga de titânio feita a partir da tomografia do rosto de Josimar
Luciana Barros/Governo do Tocantins
Analisando o antes de depois das cinco cirurgias e todas as incertezas que enfrentou até conseguir essa nova reconstrução facial, o paciente está otimista e se recupera bem.
“Para mim a satisfação foi muito grande porque depois de tanto tempo aguardando, de passar por cinco cirurgias nesse período, o reconhecimento do pessoal do hospital, o tratamento que eles têm comigo. Somos todos muito bem tratados e tudo isso nos ajuda no dia a dia”, afirmou Josimar.
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Fonte: G1 Tocantins