ONU acusa Talibã de matar pessoas em protestos pacíficos no Afeganistão

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Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmam que a resposta aos protestos tem sido cada vez mais violenta, com o uso de munição real, cassetetes e chicotes. Mulheres afegãs protestam na capital Cabul em 7 de setembro de 2021
Hoshang Hashimi/AFP
As Nações Unidas afirmaram nesta sexta-feira (10) que ao menos quatro pessoas morreram na violenta repressão do Talibã a manifestações pacíficas no Afeganistão e denunciaram que a resposta aos protestos tem sido cada vez mais violenta, com o uso de munição real, cassetetes e chicotes.
“Pedimos aos talibãs que parem de usar imediatamente a força e as detenções arbitrárias contra quem exerce seu direito de protestar pacificamente e contra jornalistas que cobrem essas manifestações”, afirmou porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
Ravina Shamdasani disse também que o grupo extremista proíbe desde quarta-feira (8) qualquer concentração não autorizada no país e pediu ao novo governo que respeite o direito internacional.
“Segundo o direito humanitário internacional, qualquer uso da força deve ser um último recurso em resposta às manifestações. Deve ser estritamente necessário e proporcional”, destacou a porta-voz. “As armas de fogo nunca devem ser usadas caso não seja em resposta a uma ameaça mortal iminente”.
O Talibã também é acusado de agredir e prender jornalistas que cobriam uma manifestação de mulheres na terça-feira (veja no vídeo abaixo). No domingo (5), um outro protesto de mulheres foi reprimido com gás lacrimogêneo e spray de pimenta.
Mulheres realizam protesto por emprego no Afeganistão
“Além de proibir as manifestações pacíficas, os talibãs deveriam deixar de usar a força e garantir o direito da reunião pacífica e da liberdade de expressão, também quando as pessoas quiserem declarar suas preocupações e fazer uso de seu direito de participar” da gestão do país, destacou.
“As proibições de qualquer concentração pacífica representam uma violação do direito internacional, como cortar o acesso à internet”, disse a porta-voz.
Ela também afirmou que os jornalistas que cobrem esses protestos não devem ser alvo “nem de represálias nem de assédio”, após os relatos de dois repórteres afegãos a quem os talibãs agrediram.

Fonte: G1 Mundo